Incra e as prefeituras de Americana e Cosmópolis assinam protocolo de intenções

Com um clima mais tranquilo em relação às últimas reuniões de negociação entre os assentados e representantes do governo, o superintendente INCRA Wellington Monteiro assinou um protocolo de intenções, junto com as prefeituras de Americana e Cosmópolis, nesta segunda-feira (08).

Além da presença de Wellington Monteiro, a reunião de negociação contou com do secretário de Cidadania e Movimentos Sociais de Americana, Valdecir Duzzi , do prefeito de Cosmópolis, Doutor Antônio, do vereador em Americana, Celso Zoppi, do deputado estadual, Tito, e assessores do deputado Antônio Mentor.

O objetivo da reunião foi apresentar projetos para o desenvolvimento do assentamento em parcerias com as prefeituras. Entre os investimentos previstos estão: melhorias em infraestrutura das estradas que dão acesso ao assentamento, reconstrução das ruas internas, conservação de solo e a aplicação recurso do crédito do apoio mulher.

Monteiro ressaltou que “a reforma agrária é importante para o desenvolvimento do Brasil”, sendo através da agricultura familiar que chega alimentos para a mesa da população brasileira.

O superintendente do INCRA comprometeu se a fazer o levantamento da cadeia dominiar da região. Já é comprovado que no município de Americana existem cerca de 10. 928 hectares de terras griladas pela usina Ester que poderiam ser destinadas para a expansão do assentamento Milton Santos e a criação de novos assentamentos na região. Assentar novas famílias representa ter mais alimentos saudáveis na região.

Assentamento Milton Santos participa de encontro da Rede Extremo Sul

Estado de alerta no Assentamento Milton Santos

A nossa luta não acabou.

Recebemos informações de que no dia 21 do mês passado, a Usina Ester entrou no TRF (Tribunal Regional Federal) pedindo o cancelamento da suspensão da liminar de reintegração de posse do Assentamento Milton Santos.

A liminar de reintegração de posse tinha prazo final para o dia 30 janeiro. Mas, após 12 dias em luta, pressionando o governo a assinar o Decreto de Desapropriação por Interesse Social, conseguimos o cancelamento desta reintegração de posse; o que representou uma vitória parcial para as famílias assentadas.

Como esperávamos, porém, a Usina Ester recorreu desta suspensão, e novamente a recurso retorna para o julgamento dos desembargadores.

Nós, assentados,vivemos essa angústia desde junho do ano passado. Por isso sempre reivindicamos que a única medida que resolveria definitivamente o problema é a assinatura do Decreto de Desapropriação por Interesse Social pela presidenta Dilma Rousseff.

Até que o caso seja julgado, continuaremos produzindo alimentos saudáveis e pressionando o governo federal a assinar este decreto. E pedimos para que todos apoiadores, aliados e defensores da causa fiquem, assim como nós, em estado de alerta. Se for necessário, não pensaremos duas vezes para retomar novos processos de luta e enfrentamento.

Luta do Milton Santos com apoio dos padres

Famílias do Assentamento Milton Santos receberam ontem, 28, a visita de padres do muncípio de Americana. A reunião, que aconteceu na área social com um café da manhã organizados pelos moradores, contou com a presença de 11 padres de diversas paróquias e representantes da coordenação do assentamento.

O objetivo da visita era conhecer o assentamento e a situação em que as famílias se encontram, uma vez que o Decreto de Desapropriação por Interesse Social não foi assinado pelo governo da Dilma, portanto a luta não acabou e o futuro dos trabalhadores é incerto.

Os padres demostraram dispostos a contribuir com a luta das famílias, divulgado a situação e organizando visita de membros das comunidades paroquiais para conhecer o assentamento.

A visita dos padres e o interesse em divulgar a existência de um assentamento produtor de alimentos saudáveis, sem o uso de insumos químicos, contribuem na luta pela permanência das famílias na área.

Apresentação de teatro da Cia. Hangar de Elefantes

Neste fim de semana, a companhia teatral Hangar de Elefantes apresentou o espetáculo ‘Terra à vista’ no assentamento Milton Santos.

Convite especial para os apoiadores da luta do Assentamento

Apresentação teatral no Assentamento nos dias 2 e 3 de março,

Assentamento Milton Santos – O papel de cada um na luta pela terra

O vídeo abaixo retrata o início e o fim da greve de fome que três apoiadores fizeram em solidariedade ao assentamento Milton Santos nos dias em que aconteceram as ações em São Paulo

Poder es muerte

Siete años han pasado
Milton Santos está
Presente
Su trabajo, lucha
Amor y pasión por la tierra

_

Genera en el gobierno
Que dejó de ser de
La clase trabajadora
Para ser herramienta
Del poder mundial

_

Con fervor y policía
La voz de Lula y el deporte
Junto a la burguesía
Con Monsanto y Usina Ester
Quieren desalojara
A quienes
Con amor y alegría
Van construyendo
Hectarea por hectarea
La reforma agraria

-

Poema do companheiro argentino Guillermo Reigenborn

A luta necessária em defesa do assentamento Milton Santos

Frederico Daia Firmiano

 

Nas últimas semanas temos assistido, de modo mais intenso, a luta incansável de 68 famílias do assentamento Milton Santos pela defesa do território conquistado há cerca de 7 anos, hoje na mira do Judiciário.

A área onde foi implementado o assentamento, o sítio Boa Vista, foi desapropriada e repassada ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) ainda na década de 1970 (à época, INPS), que a arrecadou como parte do pagamento de dívidas acumuladas pelos antigos proprietários. A área que servia para produção de cana-de-açúcar, no entanto, continuou a ser explorada irregularmente pela Usina Ester até pelo menos o ano de 2005, quando a posse foi repassada ao Incra, que conduziu à área as famílias que vinham de uma trajetória de lutas pela terra. A partir de então, teve início o processo de implementação do assentamento das 68 famílias que, hoje, vivem e produzem alimentos para toda aquela região.

Desde que perdeu a área, ainda na década de 1970, a família Abdalla vem tentando vencer uma disputa judicial. E, em julho de 2012, as famílias do assentamento Milton Santos passaram a conviver com o risco concreto do despejo, quando os proprietários obtiveram uma vitória na Justiça. No final do mesmo ano, esta situação se agudizou e deu início a um processo de lutas mais acirrado, que ganhou ainda mais fôlego quando, em 9 de janeiro de 2013, o desembargador federal, Luiz Stefanini, expediu a ordem de despejo dos assentados. Vale lembrar que este é o mesmo juiz que ordenou a reintegração de posse da terra indígena dos Guarani Kaiowá no final do ano passado, em favor do capital.

A única medida capaz de reverter este quadro é a desapropriação por interesse social, que só pode ser tomada pela Presidenta da República e contra a qual não há recurso.

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Texto de Jorge Luiz Souto Maior sobre o caso do Assentamento Milton Santos

O Caso Milton Santos: o desafio continua

Jorge Luiz Souto Maior(*)

Quando, em 2011, a sociedade brasileira se viu aturdida com o desfecho que foi dado ao caso Pinheirinho, em São José dos Campos, muita discussão se produziu a respeito dos fundamentos jurídicos da decisão judicial, que determinou a reintegração de posse do terreno onde estava instalada a comunidade, e da legalidade da ação policial que se seguiu, incluindo os métodos de ação.

Sem retomar todos os aspectos do debate, já bastante difundido, um argumento que insta retomar, para tratar do caso Milton Santos, é o de que o direito de propriedade, para ser preservado, não deve justificar atos de violência, promovidos pelo Estado contra o cidadão, pois cumpre ao Estado, igualmente, defender o direito à vida e a integridade de todos os cidadãos, constituindo, por si, uma violência retirar, à força, pessoas de suas residências, deixando-as ao relento e sem condições de uma sobrevivência digna, violência esta que se efetivaria para tentar reverter, de forma abrupta, uma situação fática constituída ao longo de anos, restituindo “limpa” a propriedade a seu dono.

Lembre-se, ainda, que a propriedade, juridicamente considerada, deve cumprir uma função social. Não se trata de negar o direito de propriedade, mas de compreender que do ponto de vista do direito a propriedade não se justifica em si, mas pela função social que cumpre, e que ao Estado democrático de direito social cabe, também, garantir a todos os cidadãos, por ações afirmativas, a dignidade (inciso III, do art. 1º., da CF), tendo sido relacionados, no artigo 6º da Constituição Federal brasileira, como Direitos Fundamentais, os seguintes valores: a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados.

Em termos constitucionais, a própria ordem econômica, que deve ser fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos uma existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: da função social da propriedade; da redução das desigualdades regionais e sociais; e da busca do pleno emprego (art. 170, caput, incisos II, III e VIII).

Não há como negar, portanto, que a ordem jurídica nacional esteja pautada pelos preceitos do Direito Social, cujos objetivos são: construir a justiça social e efetivar a democracia. Impera a concepção de um regramento que tem por conseqüência a melhoria da posição econômica e social de todos e a preservação da dignidade do sentido da elevação da condição humana.

No Direito Social, ao se fixar a prevalência da solução dos problemas postos pela questão social, que é abertamente reconhecida como tal, o postulado da justiça social aparece como condição de sustentabilidade de todo o sistema.

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